Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Vozes do Iraque

 

Mahmoud Rafid, Iraq, “Devo continuar a trabalhar apesar de ser abusado sexualmente”



Photo: Afif Sarhan/IRIN

Mahmoud Rafid, 13 anos, diz ter medo de continuar a vender mercadorias nas ruas de Bagdade depois de ter sido molestado e abusado sexualmente.



Bagdade – Mahmoud Rafid, 13 anos, diz ter medo de continuar a vender mercadorias nas ruas de Bagdade, depois de ter sido molestado e abusado sexualmente.


Há um ano perdeu o seu pai e a sua mãe tem cancro, por isso Mahmoud, as suas irmãs, de 11 e 14 anos, o seu irmão, de 9 anos, tiveram de encontrar meios de se alimentar. Depois de vender muitos dos seus haveres para conseguir dinheiro, hoje podem ser vistos nos semáforos a vender chocolates, jornais e canetas.


A minha mãe está muito doente e se ela morrer a nossa situação vai piorar. Fomos forçados a abandonar a escola para ajudar a levantar os rendimentos da família, mas a situação é perigosa e às vezes fico com a impressão que um dia posso não regressar a casa.


As minhas irmãs são aquelas que mais sofrem. Existem muitos homens em Bagdade que lhes querem fazer mal. Elas ficam junto a mim quando trabalhamos e eu ando sempre munido de uma navalha para defendê-las no caso de alguém querer abusá-las sexualmente. Eu já sofri isso e não quero que o mesmo aconteça com as minhas irmãs.


Devo continuar a trabalhar para ajudar a minha família apesar de ser abusado ( sexualmente ). Fomos abandonados pelos nossos parentes e o nosso pai não nos deixou dinheiro suficiente.


A minha mãe fica em casa à nossa espera, a chorar, desesperada e com medo que qualquer coisa aconteça na rua connosco. O seu cancro está a desenvolver muito e se ela morrer temos de confiar em nós próprios e, talvez, dormir na rua.


“Tenho saudades do tempo em que andava na escola e se tivesse a oportunidade de regressar não a desperdiçava. Eu era um bom aluno, com bons resultados e muitos amigos. Mas agora até os meus amigos nos deixaram, porque trabalhamos na rua. As suas famílias julgam que não lhes fazemos boa companhia.


Muitas vezes, as pessoas vêm ter connosco para oferecer dinheiro e comida em troca de vendermos drogas, mas nunca aceitamos fazê-lo. O meu irmão tentou a droga duas vezes mas ficou muito doente. Não podemos fazer nada. Graças a Deus, depois da minha mãe ter tomado conta dele, deixou esta coisa má.


Espero que um dia possamos ter de novo uma vida boa e segura. Gostaria de ver o meu irmão outra vez na escola e a comer um bom pedaço de carne. Mas até isto acontecer, vamos continuar a trabalhar, tentando conseguir alguma comida para a minha mãe nos seus últimos dias de vida.”


Retirado de:

IRAQ: Mahmoud Rafid, Iraq, “I have to keep working despite being sexually abused”. RIN. Sunday 17 June 2007. 17 de Junho de 2007 http://www.irinnews.org/Report.aspx?ReportId=72705

publicado por cppc às 11:48
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Terça-feira, 5 de Junho de 2007

Carta ao Estado Israelita - Não à Ocupação da Palestina

Lisboa, 5 de Junho de 2007
 
Ao Estado de Israel
 
Assinala-se hoje, dia 5 de Junho, o início da Guerra dos Seis Dias de 1967, da qual resultou a ocupação por Israel de Jerusalém Oriental, da Margem Ocidental do Jordão e da Faixa de Gaza.
 
Cumpre-nos transmitir-lhe em nome das organizações Portuguesas subscritoras desta missiva, que é urgente pôr fim a 40 anos de ocupação israelita dos territórios palestinianos, a 40 anos de violação sistemática e brutal dos direitos mais básicos e fundamentais do povo palestino, a 40 anos de negação do direito do povo palestino a ter um Estado independente, soberano e viável nos territórios ocupados. O povo palestino não pode continuar a ser refém na sua própria terra. Israel não pode continuar a afrontar abertamente o direito internacional e as inúmeras resoluções da Organização das Nações Unidas, que não só condenam a ocupação, como exigem o seu fim.
 
A Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU reconhece ao Estado de Israel o direito a «viver em paz no interior das suas fronteiras seguras e reconhecidas», mas não deixa dúvidas quanto à «inadmissibilidade da aquisição de terras pela guerra», e exige de Israel a «retirada das forças armadas israelitas dos territórios ocupados», bem como a resolução do problema dos refugiados. Quarenta anos depois, esta Resolução continua letra morta.
 
Os incomensuráveis sofrimentos repetidamente infligidos ao povo Palestino – que configuram crimes contra a humanidade e merecem a nossa enérgica condenação – a par da disseminação de colonatos ilegais e da construção do Muro de separação – já condenado pelo Tribunal Internacional de Justiça – configuram uma deliberada política de inviabilização da construção de um Estado Palestiniano livre, soberano e viável.
 
O povo Português, como a generalidade dos povos do mundo, defensor da Paz e da Liberdade, estará entre os primeiros a apoiar uma paz justa e duradoura em toda a região do Médio Oriente, que garanta a segurança de todos os povos da região. Mas nunca calará a denúncia dos crimes da ocupação.
 
As Organizações Signatárias

CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação

MPPM – Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente

CGTP/IN – Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional

APD – Associação Portuguesa de Deficientes

Associação de Amizade Portugal-Cuba

Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos da Freguesia de Cacilhas

Associação Vidas Alternativas

ATTAC Portugal

Casa do Alentejo

CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal

Colectivo Solidariedade com Múmia Abu Jamal

Comissão de Paz de Almada do CPPC “Almada Pela Paz”

Comissão de Paz de Beja do CPPC

Comissão de Paz de Évora do CPPC

Comissão de Paz do Seixal do CPPC

Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto

Confederação Portuguesa de Quadros Técnicos e Científicos

FAR -  Frente Anti-Racista

Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública

FENPROF – Federação Nacional dos Professores

FEVICCOM – Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro

FNTCT – Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações

Follow the Women Portugal

GRAAL

Interjovem / CGTP

Inter-Reformados / CGTP

JOC – Juventude Operária Católica

MDM – Movimento Democrático de Mulheres

MURPI – Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos

Olho Vivo - Associação de Defsa do Património, Ambiente e Direitos Humanos

OPUS GAY

Pax Christi Portugal

Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores

Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Cerâmica, Cimentos e Similares do Sul e Regiões Autónomas

Sindicato dos Vidreiros

Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário

SINORQUIFA – Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás do Norte

Sociedade de Instrução e Beneficência “A Voz do Operário”

Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense “Os Penicheiros”

SOS Racismo

SPGL – Sindicato dos Professores da Grande Lisboa

STAL – Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local

Teatro Experimental de Cascais

Tribunal Iraque

União dos Sindicatos da Região Autónoma da Madeira

União dos Sindicatos de Beja

União dos Sindicatos de Braga

União dos Sindicatos de Coimbra

União dos Sindicatos de Évora

União dos Sindicatos de Leiria

União dos Sindicatos de Lisboa

União dos Sindicatos de Setúbal

União dos Sindicatos de Viana do Castelo

União dos Sindicatos do Norte Alentejano

URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses

publicado por cppc às 16:28
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DENÚNCIA E PROTESTO

Embaixada de Israel impõe posto de controlo (check-point) em Lisboa
 
Hoje, dia 5 de Junho de 2007, uma delegação de representantes de 55 Organizações Não Governamentais Portuguesas viu recusado um encontro previamente aceite pela Embaixada de Israel. O encontro destinava-se a entregar uma Carta-Apelo contra a ocupação, por Israel, dos territórios palestinos, por ocasião da data em se completam 40 anos do início da Guerra dos Seis Dias.
 
O encontro com uma delegação de duas personalidades representando as 55 ONG’s – a quem a Embaixada solicitou previamente os números e data de emissão dos bilhetes de identidade, e que seria recebida pelo Primeiro Conselheiro da Embaixada – não se chegou a efectuar.
Alegando que “a presença de mais de 5 pessoas” na rua da Embaixada constituía uma “manifestação provocatória”, a Embaixada utilizou como pretexto para recusar o encontro, o facto de haver uma dezena de representantes das 55 ONG’s no passeio fronteiro à Embaixada (mesmo que sem qualquer pano ou palavra de ordem acompanhar).
 
Para além de se recusar a receber os dois representantes das ONG’s Portuguesas, a Embaixada de Israel – provavelmente deturpando a realidade da situação e alegando perigos inexistentes – levou a PSP a mobilizar dispositivos policiais consideráveis (três carros-patrulha e uma carrinha do Corpo de Intervenção) e totalmente desproporcionados, dada a inexistência de qualquer alteração da ordem pública, ou sequer de uma manifestação que nunca chegou a estar prevista.
 
A Embaixada de Israel procura assim impor a “lei” de Israel nas ruas portuguesas.
 
Tal como em numerosas outras ocasiões recentes, a PSP pediu a identificação dos dois representantes das ONG’s que tinham o encontro marcado na Embaixada, numa acção que confirma as tendências incriminatórias e repressivas crescentes que o Governo e o seu Ministério da Administração Interna têm vindo a generalizar. 
 
Não é Governo de Israel que dita as leis em Portugal.
Portugal é um país soberano e não é admissível que as liberdades democráticas aqui sejam questionadas, por quem quer que seja.
 
O movimento de solidariedade com a luta do povo palestino prosseguirá no nosso país, não se deixando intimidar por semelhantes atitudes.
 
Em anexo enviamos o texto completo da Carta-Apelo dirigida ao Estado de Israel bem como a lista das 55 organizações subscritoras.
 
O Conselho Português para a Paz e Cooperação
O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente
A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional
publicado por cppc às 16:25
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AMANHÃ - Regresso da delegação do CPPC à Palestina

A delegação do Conselho Português para a Paz e Cooperação regressa amanhã a Lisboa, estando a sua chegada agendada para as 12.00h ao Aeroporto da Portela.
Gustavo Carneiro e Vítor Paulo Silva, participaram na Conferência Internacional Iniciativa Jerusalém, – Conferência de Paz organizada conjuntamente, e pela primeira vez, por Palestinos e Israelitas. A Delegação teve ainda a oportunidade de visitar o Muro de separação, contactar com organizações de paz, e organizações sociais e políticas palestinas e Israelitas.
Convidamos todos os aderentes e amigos a estarem presentes na chegada dos dois representantes do CPPC.
publicado por cppc às 09:56
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CONTRA A OCUPAÇÃO DA PALESTINA

Hoje, 5 de Junho, na data que assinala o início da guerra dos seis dias e os quarenta anos da ocupação ilegal da Palestina, 50 organizações portuguesas subscrevem carta de protesto dirigida às autoridades israelitas.
 
Em representação das organizações, o Professor Luís Vicente, Vice-presidente do Conselho Português para a Paz e Cooperação, e a Dr.ª Elsa Rodrigo dos Santos, do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, entregarão a carta de protesto na Embaixada de Israel às 14 horas.
publicado por cppc às 09:53
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