Quinta-feira, 27 de Março de 2008

CONCENTRAÇÃO - SÁBADO - 29 DE MARÇO - 16 HORAS

 

5 ANOS DE OCUPAÇÃO, 5 ANOS DE RESISTÊNCIA,

5 INTERVENÇÕES

INTERVENÇÃO DO CPPC
 
As razões da Guerra do Iraque
 
Falar sobre as razões da guerra é recordar toda uma panóplia de mentiras e hipocrisias usadas para justificar o início de um conflito marcado pelo espezinhamento do Direito Internacional e pela submissão da vontade dos povos aos interesses económicos e geo-estratrégicos do imperialismo norte-americano e seus aliados.
 
Falar sobre as razões da guerra do Iraque obriga-nos desde logo a uma distinção: as razões invocadas pelas forças ocupantes, e as razões reais que levaram à invasão e ocupação de um Estado independente e soberano.
 
Os argumentos da invasão e da ocupação, também proferidos a alta voz pelo então 1º Ministro Português Durão Barroso, procuraram dar cobertura a uma acção injustificável à luz do Direito Internacional sempre com a falsa bandeira dos valores da democracia, da liberdade e dos direitos humanos.
 
-         A existência de armas de destruição massiva, suportadas em provas manipuladas e forjadas;
 
-         As ligações do regime iraquiano à Al-Qaeda e ao terrorismo global, agora desmentidas por um relatório do Pentágono que a actual administração tentou sem sucesso esconder dos norte-americanos e do mundo;
 
-         A “libertação e democratização” de um povo, à lei da bomba e da morte sem nunca comprometer os interesses das multinancionais e os acordos milionários assinados;
 
-         O «respeito pelos direitos humanos e uma visão humanista» da qual José Sócrates considerou os EUA serem «um exemplo», não fazem esquecer ao povos de todo o mundo o recurso à tortura, os voos ilegais da CIA, as prisões clandestinas espalhadas pelo Iraque e pelo mundo, a nomeação de um governo fantoche iraquiano.
 
Mas a resistência e a luta do povo iraquiano, e também a solidariedade expressa nas ruas de todo o mundo em poderosas jornadas mundiais de luta pela paz, e que em Portugal se traduziu, entre outras, na célebre manifestação que juntou mais de 100 mil pessoas no Rossio, ajudaram a revelar o fundamento criminoso e a verdadeira razão desta guerra:
a sede de exploração dos recursos energéticos mundiais, e o alargamento da influência e domínio do imperialismo na região do Médio Oriente.
 
Passados cinco anos, não podemos hoje esquecer que o anterior e o actual governo Português, sempre acompanhados pelo anterior e actual Presidente da República, também são cúmplices desta guerra injusta, porque aceitaram o envolvimento e o envio de tropas da GNR para o território iraquiano, como ainda hoje se verifica. Tudo, evidentemente, em nome das mesmas razões mentirosas que levaram à invasão e ocupação do Iraque.
 
Da parte do povo português, podem a juventude e o povo iraquiano esperar a mais profunda solidariedade para com a sua resistência e a sua luta, com a certeza de que no nosso país continuaremos a exigir do governo português a retirada das tropas da GNR do Iraque, o cumprimento da Constituição da República Portuguesa que consagra o princípio das relações internacionais baseado no progresso, paz, cooperação e solidariedade entre os povos de todo o mundo.
 
Porque a solidariedade e a vontade dos povos não se vergam à exploração e à guerra, mas antes se reforçam e afirmam como indispensáveis para um futuro de progresso e paz para a humanidade!
 
Viva a resistência iraquiana!
Viva a Paz!
 
INTERVENÇÃO DO TMI
 
Companheiras e companheiros,
 
Há cinco anos, com a boca cheia das palavras liberdade e democracia, os imperialistas estadunidenses e os seus aliados Tony Blair, José Maria Aznar, Sílvio Berlusconi, Durão Barroso, Paulo Portas, etc., desencadearam uma das maiores catástrofes humanitárias de que há memória, baseados em alegações que eles próprios hoje reconhecem como falsas. A invasão de há cinco anos foi, além disso, preparada com 12 anos de sanções desumanas, que submeteram a população civil iraquiana a sofrimentos indescritíveis e causaram 2 milhões e 700 mil mortos.
 
 O Iraque era, até então, o país árabe mais avançado, dono dos seus imensos recursos petrolíferos que, explorados pelo Estado a favor do seu povo, lhe permitiam ter os mais avançados sistemas de saúde, de educação e de investigação científica que alguma vez existiram no mundo árabe. O Iraque era, além disso, um Estado laico num país multi-étnico, multi-religioso e multi-cultural.
 
Desde então, pela força das armas imperialistas, mais de um milhão de iraquianos civis foram mortos devido à invasão e à ocupação; 2 milhões e meio de iraquianos estão refugiados dentro do país e 2,2 milhões exilados no estrangeiro, que fazem do Iraque o país com mais refugiados em todo o mundo.
A soma do número de mortos com o de refugiados atinge um quarto da população do país.
 
As infraestruturas de água e saneamento, os hospitais e todo o sistema de saúde e muitas escolas foram destruídos pelas bombas. 2 mil médicos foram assassinados. Metade dos 34.000 médicos iraquianos abandonaram o país. Dos 180 grandes hospitais, 90% carecem de médicos, instrumentos e medicamentos.
 
Com a utilização de munições com urânio empobrecido, os Estados Unidos lançaram sobre o Iraque, entre 1991 e 2003, mais de 2.500 toneladas de material radioactivo, cujo efeito vai perdurar por 4 mil e 500 milhões de anos, contaminando os solos, as reservas de água e a atmosfera. Em consequência disso, aumentaram em flecha as malformações congénitas, as leucemias, as doenças da tiróide e o número de cancros. No sul do Iraque os cancros aumentaram 11 vezes entre 1988 e 2002. As malformações congénitas atingem 67% dos filhos de soldados norte-americanos que estiveram no Iraque.
 
Estes e muitos outros números insuportáveis para qualquer consciência honesta são o resultado directo da crise dos impérios, da rapina dos riquezas alheias e da aspiração dos Estados Unidos a um domínio total daquela região do mundo – domínio esse que tem o seu centro nevrálgico na Palestina e no Estado racista e terrorista de Israel.
 
Os imperialistas não aprenderam a lição da história. O povo iraquiano enfrenta os mais graves e terríveis problemas humanitários de que há memória desde a 2ª Guerra Mundial. Mas, apesar disso, resiste ao invasor-ocupante e hoje a maior potência bélica mundial está atascada na sua própria lama. E as tropas estadunidenses serão, mais tarde ou mais cedo, corridas do país – como o foram do Vietname.
 
Nessa altura virão falar-nos de “soluções políticas”. Preparem-se, porque essa expressão não tardará a surgir no discurso de Washington, e no daqueles que, aqui entre nós, reproduzem fielmente a voz do dono. Então será o momento de transformar em números todo o incontável sofrimento dos iraquianos. E de, com esses números, levar ao tribunal e à prisão os criminosos que deliberadamente os provocaram. E de exigir que os países motores e os países cúmplices assumam a responsabilidade de indemnizar o povo do Iraque.
 
Temos de pedir responsabilidades aos governantes portugueses, incluindo os actuais. Não deixemos que esses crimes sejam cometidos em nosso nome.
 
IRAQUE: NÃO EM NOSSO NOME!
 
 
INTERVENÇÃO DA JUVENTUDE
Estes 5 anos de guerra no Iraque têm sido 5 anos de massacre, de destruição de um povo, de um país. Têm sido 5 anos de desrespeito pelos direitos humanos.
E quando se assinala 5 anos de guerra não é demais denunciar que esta é uma guerra baseada em mentiras e manipulações, quando o único objectivo era e continua a ser o interesse pelo poder, pelo domínio e exploração dos povos e dos recursos naturais.
Não é demais denunciar a cumplicidade do governo português neste massacre, tendo tido o seu apoio e o envolvimento de militares portugueses.
O número de vítimas é enorme e vai continuar a aumentar: pela própria guerra, pela falta de água potável, pela fome, pelas doenças e pela contaminação radioactiva.
Este é um problema nosso. É um problema de todas as gerações e temos de preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra; porque queremos um mundo em paz e de cooperação entre os povos.
E porque também é um problema nosso, tem havido desde o início da guerra um enorme movimento de massas que rejeita esta agressão. E os jovens, sendo uma força dinâmica e activa da sociedade, denunciam, rejeitam e condenam esta guerra.
Os jovens de todo o mundo têm sido vítimas das políticas imperialistas e neo-liberais. E mais uma vez aqui estamos para afirmar e reforçar a nossa posição:
Porque esta guerra não é um acto isolado, integra uma ofensiva global, lutamos contra a exploração e a guerra. Lutamos pela paz, pela independência, pela autodeterminação dos povos, pela democracia e pela segurança.
Exigimos o cumprimento da Constituição da República Portuguesa e dos Direitos Internacionais.
A guerra do Iraque é verdadeiramente alarmante e afecta de diversas maneiras a juventude, com gravíssimos prejuízos e consequências agora e a longo prazo.
Os jovens iraquianos vivem num país destruído, massacrado, vivem numa sociedade desarticulada.
Vivem num país em guerra, morrem aos milhares, estão refugiados, vivem num país sem infra-estruturas onde as escolas e os hospitais não funcionam; milhares de crianças têm sido impedidas de frequentar a escola devido à ocupação.
Os jovens têm sofrido violentos ataques às suas liberdades e aos seus mais elementares direitos. Não têm assegurado o direito a viver em paz e em segurança.
Não têm assegurado o ensino, a saúde e o emprego. Não vivem agora a sua juventude em plenitude, nem viverão o resto da sua vida com as condições que merecem, que precisam e que lhes devem ser garantidas.
Ficaram com as suas famílias desfeitas, perderam-nas, e não têm as mínimas condições para refazer uma nova vida, com os seus direitos garantidos.
Os jovens constituem uma importante e essencial camada da sociedade e são fundamentais para a reconstrução do seu país.
É necessário e urgente garantir o futuro destes jovens. E isso só possível de uma maneira: com o fim da guerra!
Os jovens têm o direito de viver no seu país, em segurança, e ter acesso a todos os direitos que lhes garantam qualidade de vida.
Nós, jovens portugueses, estamos solidários com os jovens iraquianos, e com todo o povo do Iraque, e com a sua luta e resistência contra as forças imperialistas.
Nós, jovens portugueses, rejeitamos a guerra como uma alternativa pois não o é.
Não aceitamos que Portugal seja cúmplice deste massacre, desta violação dos direitos humanos e internacionais.
Não queremos o nosso país aliado a uma guerra que está a destruir o Iraque. Denunciamos e condenamos este vergonhoso envolvimento.
Exigimos o respeito e a defesa dos direitos humanos e democráticos, exigimos justiça social. 
Os jovens exigem o fim da ocupação do Iraque!
Os jovens defendem um mundo em paz.
E pelos jovens e por todo o povo exigimos o fim da guerra!
 
INTERVENÇÃO DO MDM
 
Este novo milénio produziu já vários acontecimentos terríveis, cujas consequências ainda estão longe de ser totalmente conhecidas.
 
Como resposta ao 11 de Setembro veio a invasão do Afeganistão pelo EUA, a pretexto de capturar Benladen. Por último, a invasão do Iraque, a pretexto de libertar o mundo de uma hipotética guerra química e os iraquianos da ditadura de Sadan.
 
Passados 5 anos ficou claro que foi a maior manobra de sempre de intoxicação da opinião pública e de violação de todos os princípios do Direito Internacional e de desrespeito pela soberania do povo iraquiano.
 
Na sangrenta guerra do Iraque, caiu um manto de silêncio sobre as consequências da guerra e suas vítimas e sobre a luta das mulheres contra a guerra.
As mulheres são vítimas específicas da guerra e combatentes pela Paz.
 
A voz das mulheres árabes sobre a guerra no Iraque tem sido silenciada. Passa despercebida nesta onda de protestos que cresce em todo o Mundo, apesar do grito de revolta no interior dos seus países e das suas organizações.
 
De facto, muitas foram as organizações de mulheres árabes que apelaram e apelam à participação e mobilização das mulheres para “se manterem mobilizadas e recusarem a invasão americana do Iraque”, vista como resultado de um “…neo-colonialismo e uma invasão impetuosa de toda a região”.
 
As mulheres sofrem duplamente os efeitos da guerra.
 
Por um lado, a guerra destrói haveres e bens mas também desfaz vidas físicas e íntimas. Se não morrem ficam obrigadas a assumir novos papéis na família e na comunidade para que não estavam muitas vezes preparadas, nem cultural nem escolarmente. E tudo isso, num terreno precário, instável, caótico, desestruturado, estilhaçado.
 
O Movimento Democrático de Mulheres apoiou, já em 2004, a preocupação do Grupo de Coordenação Internacional do Tribunal Mundial sobre o Iraque, subscrevendo as suas reivindicações e, por isso, continuamos a reclamar o fim imediato da guerra contra o povo do Iraque, a sua cultura, solo, religião e habitat bem como a retirada imediata de todas as tropas de ocupação.
 
Gostaríamos de transmitir também que a Federação Democrática Internacional de Mulheres - FDIM, que conta com organizações de mulheres dos cinco continentes, no seu último Congresso, realizado em 2007, aprovou uma “Declaração de Solidariedade com as Mulheres Árabes”, onde para além de exprimir designadamente a sua solidariedade com os povos da Palestina, Líbano, Iraque e todos os que sofrem de ocupação, agressão e terrorismo de estado, exigiu a retirada imediata das tropas norte-americanas e dos seus aliados do Iraque a fim de assegurar a este país a sua segurança e unidade.
 
A FDIM declarou ainda o seu apoio activo para com as mulheres iraquianas na sua luta contra a ocupação dos Estados Unidos e condenou a violência sangrenta contra todas as mulheres e crianças desse país.
 
O MDM defende que a solidariedade desenvolvida pelas redes de mulheres pela paz não se deve desligar das problemáticas do desenvolvimento e do combate sem tréguas contra as desigualdades e assimetrias no mundo, verdadeiros responsáveis pelo incremento e desenvolvimento da guerra, nas suas mais variadas matizes.
 
A opressão dos costumes sobre a mulher árabe tem servido, muitas vezes, para alijar a culpa dos opressores e fautores da guerra nesta importante região do Globo.
 
As milícias religiosas governamentais impuseram a segregação de sexos e o vestuário islâmico, acentuando-se as violações à dignidade humana.
 
Nas zonas de conflito, as mulheres são ainda vítimas de servidão sexual - a violação e o assédio-  fazem parte do vocabulário da guerra, mas normalmente são silenciados e ignorados.
 
A actual década de 2000/2010 foi considerada pela ONU pelo “Decénio Internacional da Promoção de uma Cultura de não Violência e de Paz em benefício das crianças do Mundo”, então deixamos aqui a pergunta: O que está a ser feito em defesa das crianças do Iraque que morrem nos ataques bélicos, de doença e de fome e que não podem ir à escola?
 
Há mulheres que lutam pela paz, pelo fim da ocupação do seu país por forças estrangeiras mas também para que no futuro, lhes seja de novo reconhecido poderem voltar a desempenhar papéis fundamentais ao próprio desenvolvimento e bem-estar social de um povo.
 
Se soubermos construir a Paz eliminando as desigualdades e as assimetrias entre os Povos e entre Mulheres e Homens, caminharemos no sentido do desenvolvimento humano sustentável.
 
Vivam as mulheres iraquianas que lutam contra a invasão do seu País e pela construção da Paz!
 
Vivam as mulheres iraquianas que lutam pelos seus direitos!
 
Viva a Paz no Mundo!
INTERVENÇÃO DA CGTP-IN
Caros amigos,
A CGTP-IN, como as organizações que integram esta Comissão e a opinião pública portuguesa em geral, condenaram desde a primeira hora, quer os preparativos para a invasão do Iraque, quer a ocupação deste pais em 20 de Março de 2003 pelas tropas dos Estados Unidos da América, da Grã-Bretanha e de outros aliados nesta aventura belicista, entre os quais o governo do então Primeiro Ministro Durão Barroso.
Importa recordar que nas manifestações antes da invasão, realizadas em Outubro de 2002 e Fevereiro e Março de 2003, denunciámos que o pretexto da existência de armas de destruição maciça não passava disso mesmo: de um pretexto para, à revelia da comunidade internacional, sem mandato das Nações Unidas, os Estados Unidos invadiram e ocuparam este país para pilhar os seus enormes recursos naturais, entre os quais o petróleo, e desestabilizar, ainda mais, o Médio Oriente.
Nós não somos dos que foram enganados!
A ocupação com os seus inúmeros horrores teve também como consequência a destruição das infra-estruturas do país e afecta de uma forma ainda mais violenta os trabalhadores e as suas famílias.
Se antes da invasão o desemprego era quase inexistente, hoje mais de 60% da população está desempregada ou foi obrigada a exilar-se.
As condições de trabalho são não só precárias, como numa situação de extrema pobreza são obrigados a aceitar trabalhar em condições indignas.
Os sindicatos existentes foram desmantelados ou remetidos à clandestinidade e os constituídos vêem a sua actividade totalmente condicionada. Para eles e para os trabalhadores iraquianos a nossa total solidariedade e apoio.
Caros amigos,
Se o que nos move são fundamentalmente razões humanitárias, de justiça e da salvaguarda da paz na região e no mundo, seria um erro pensar que a ocupação e destruição do Iraque afectam só o povo deste país mártir.
Todos nós, trabalhadores, pagamos de forma directa ou indirecta os custos deste desmedido belicismo do imperialismo. A subida vertiginosa do preço dos combustíveis, a recessão económica nos Estados Unidos, a corrida armamentista são, entre outros, factores que, ainda que, como referimos, não sejam a razão essencial da nossa luta, não podem nem devem ser subestimados. Tanto mais quanto sobem de tom as ameaças do imperialismo norte-americano a outros países da região – Irão, Síria.
A retirada imediata das forças ocupantes é pois uma exigência da comunidade internacional, da opinião pública e das forças sociais e políticas que lutam por uma ordem internacional justa, pelo direito dos povos à sua autodeterminação, contra as ingerências externas, por um mundo de paz e progresso.
Para nós, portugueses, é fundamental exigir do governo do nosso país o respeito pelo Direito Internacional e pela Constituição da República.
Para terminar, queremos manifestar à resistência iraquiana a nossa total solidariedade e apoio.
 
O IRAQUE PARA OS IRAQUIANOS!
VIVA A PAZ E A SOLIDARIEDADE ENTRE OS POVOS!
 
Lisboa, 29 de Março de 2008
 
publicado por cppc às 16:45
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Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Comunicado do Colectivo Mumia Abu-Jamal

POLÍCIA TENTA IMPEDIR ACÇÃO DE PROTESTO CONTRA GUERRA DO IRAQUE

Hoje de manhã, um grupo de algumas dezenas de activistas mobilizou-se para, junto à Embaixada dos EUA, mostrar a sua oposição à invasão e ocupação do Iraque, colocando num viaduto próximo algumas faixas que diziam: «Cinco Anos de Ocupação - Cinco anos de Resistência» e «Ocupantes fora do Iraque».

O grupo de activistas, que incluía representantes do Colectivo Mumia Abu-Jamal, Conselho Português para a
Paz e Cooperação, Tribunal Mundial Iraque, Movimento Democrático de Mulheres, Juventude Comunista Portuguesa, Partido Ecologista Os Verdes e Ecolojovem, pretendia assim marcar o 5º aniversário do início da guerra de agressão ao Iraque, que hoje passa.

Quando colocava as faixas, o pequeno grupo de activistas foi rapidamente cercado por um grande dispositivo de agentes da PSP que os tentou intimidar pela sua presença e através da identificação de todos os participantes, como se ao protestar estivessem a cometer um crime.

Apesar da tentativa de intimidação, os activistas não vergaram e colocaram as duas faixas no viaduto, mantendo-se firmes no seu protesto contra a guerra.

O CMA-J reafirma a sua determinação em manter as suas posições e manifesta o seu veemente protesto contra mais esta tentativa de injustificada intimidação policial.

Imagens RTP:
27
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=334630&tema=

20 de Março de 2008, CMA-J

publicado por cppc às 16:58
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Quinta-feira, 20 de Março de 2008

DENÚNCIA E PROTESTO

Lisboa, 20 de Março de 2008
DENÚNCIA E PROTESTO
IRAQUE: 5 ANOS DE OCUPAÇÃO – 5 ANOS DE RESISTÊNCIA
AUTORIDADES POLICIAIS TENTAM IMPEDIR O EXERCÍCIO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS E LIBERDADES DEMOCRÁTICAS
 
Hoje, na data que marca o 5º aniversário do início da ignóbil guerra contra o Iraque, organizações portuguesas protestaram pacificamente contra a guerra e a ocupação, exigindo a retirada das tropas de ocupação e o fim imediato do genocídio do povo iraquiano.
 
A colocação de faixas em Lisboa, num viaduto junto à Embaixada dos Estados Unidos, mereceu a deslocação de um desproporcionado dispositivo policial, que procurou, através de vários meios de coação, impedir o livre exercício dos direitos e liberdades democráticas consagradas na Constituição Portuguesa.
 

Representantes do Conselho Português para a Paz e Cooperação, Tribunal Mundial Iraque, Colectivo Mumia Abu-Jamal, Movimento Democrático de Mulheres, Juventude Comunista Portuguesa, Partido Ecologista Os Verdes e Ecolojovem, foram identificados pela PSP, não tendo em nenhum minuto, vergado perante a intimidação exercida: as faixas foram colocadas, o direito de protesto exercido e a firme convicção que nos batemos uma uma causa justa, reforçada.

 
Nesta ocasião, o CPPC deseja manifestar a sua solidariedade com todos as pessoas envolvidas neste protesto e suas respectivas organizações. Pela nossa parte, reafirmamos o nosso compromisso de tudo fazer em prol da paz e da solidariedade entre os povos.
 
A Direcção Nacional do
Conselho Português para a Paz e Cooperação
 
 
Tomamos a liberdade de indicar alguns links que relatam o acontecimento:
Link RTP http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=334609&visual=16
Link Portugal Diário http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=930319&div_id=291
Link vídeo http://ww1.rtp.pt/noticias/index.phpheadline=98&visual=25&article=334630&tema=27
Link sol http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=85836
Link Esquillo Notícias http://noticias.esquillo.com/SOL/2008/03/20/PSP_identifica_activistas_durante_protestos_contra_guerra_no_Iraque
publicado por cppc às 16:29
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SOLIDARIEDADE DA ASSOCIAÇÃO FRONTEIRAS PARA COM AS ORGANIZAÇÕES QUE HOJE PROTESTARAM CONTRA A GUERRA

  COMUNICADO DA ASSOCIAÇÃO FRONTEIRAS
Associação para a defesa dos direitos
e liberdades democráticas
 
 
5 anos de ocupação do Iraque – 5 anos de resistência
Autoridades policiais tentam impedir o exercício de direitos e liberdades democráticas
 
 
“Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e ser informados, sem impedimentos nem discriminações.”
Artigo 37º da Constituição da República Portuguesa
 
“Os cidadãos têm o direito de se reunir pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização.
A todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação. “
Artigo 45º da Constituição da República Portuguesa
 
 
Assinalam-se hoje 5 anos sobre a ocupação militar no Iraque, ocupação que despojou o povo dos seus direitos e liberdades fundamentais, sujeitando-o a uma presença de tropas internacionais em desrespeito pela soberania nacional e pelo direito de todos os povos à sua auto-determinação e independência.
 
Como tem acontecido nos últimos anos, associações defensoras da liberdade e da democracia juntam-se, em protesto contra a ocupação, em solidariedade com a resistência, na exigência do fim da violação dos direitos humanos do povo iraquiano.
 
Este ano, voltaram a juntar-se no exercício dos direitos e liberdades democráticas previstas na nossa Constituição.
 
A Associação Fronteiras vem manifestar a sua profunda solidariedade com os membros do Conselho para a Paz e Cooperação, Tribunal Iraque, Colectivo Mumia Abu-Jamal, Movimento Democrático de Mulheres, Juventude Comunista Portuguesa, Partido Ecologista Os Verdes e Ecolojovem, que hoje, quando colocavam uma faixa pelo fim da ocupação militar no Iraque, num viaduto perto da Embaixada dos Estados Unidos, na cidade de Lisboa, se viram confrontados com um forte dispositivo policial, foram identificados, foram acossados por agentes policiais, em mais uma demonstração do aumento da repressão e intimidação e da violação dos direitos e liberdades democráticas dos cidadãos portugueses.
 
A Associação Fronteiras condena as sucessivas violações da Lei Fundamental e reafirma o direito fundamental de liberdade de expressão, reunião e manifestação e apela a todos os portugueses que os defendam, exercendo-os. Pela Liberdade e pela Democracia, “é em frente que vamos, não é verdade? É em frente que vamos”.
 
20 de Março de 2008
publicado por cppc às 15:04
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Iraque: 5 anos de ocupação - 5 anos de resistência

 CARTA ABERTA AO PRIMEIRO MINISTRO , JOSÉ SOCRATES

Senhor Primeiro-ministro,
Em 17 de Março de 2003, um dia depois da cimeira dos Açores, o presidente George W. Bush anunciou o iminente ataque militar ao Iraque com a seguinte declaração:
 
«À Nação do Iraque,
Informação recolhida por este e outros governos não deixa dúvidas de que o regime iraquiano continua a possuir e esconder as mais mortíferas armas (...). O regime tem um historial de rude agressão no Médio Oriente. Tem (...) ajudado, treinado e protegido terroristas, incluindo operacionais da Al Qaeda. O perigo é claro: usando armas químicas, biológicas ou, um dia, nucleares conseguidas com a ajuda do Iraque, os terroristas poderiam concretizar as suas ambições assumidas de matar milhares ou centenas de milhar de inocentes no nosso e noutros países (...). À medida que a nossa coligação lhes retirar o poder, iremos distribuir a comida e os medicamentos de que precisam. Iremos desmontar o aparato de terror e ajudar-vos-emos a construir um novo Iraque que seja próspero e livre. No Iraque livre não haverá mais guerras de agressão contra os vossos vizinhos, não mais fábricas de venenos, não mais execuções de dissidentes, não mais câmaras de tortura e câmaras de violação. O tirano em breve partirá. O dia da vossa libertação está perto.»
 
Falar de liberdade e democracia no Iraque é um insulto à inteligência.
Em cinco anos de ocupação, o Iraque conta mais de um milhão de mortos e cinco milhões de exilados e deslocados. Muitos mais morrerão enquanto persistir a ocupação, e em sua consequência, vítimas da fome e da doença, da contaminação radioactiva, das catástrofes ambientais e humanitárias e do terrorismo de Estado e do promovido por indivíduos ou grupos.
Durão Barroso, que como primeiro-ministro teve especiais responsabilidades na campanha a favor da guerra, procurou limpar a face declarando que se enganara. Paulo Portas, então ministro da Defesa, que “tinha visto provas” da existência das armas de destruição maciça, refugia-se no silêncio. Jorge Sampaio, que enquanto Presidente da República aceitou o envolvimento português, nada diz diante da catástrofe.
Portugal tem sido cúmplice activo na guerra que levou à destruição de um país, ao sofrimento e morte de um povo – e ao agravamento da situação do Médio Oriente.
Na verdade, à destruição do Iraque somam-se a destruição do Afeganistão, o genocídio do povo palestiniano, o ataque ao Líbano, as ameaças ao Irão, o escândalo dos “voos da CIA” e das prisões secretas criadas pelos EUA à margem de qualquer lei. Todos estes factos fazem parte de um mesmo plano de domínio do Médio Oriente. E a justificação com que se cobre – a chamada “guerra ao terrorismo” – tem sido desmontada pelos factos e repudiada em todo o mundo por muitos milhões de pessoas.
Estas situações configuram violações do direito internacional, crimes contra a Humanidade e crimes de guerra a que Portugal não deve nem pode estar associado.
 
  
Senhor Primeiro-ministro,
Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana (art. 1º da Constituição da República) e o Estado subordina-se à Constituição (art. 3º). Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do Homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da cooperação com todos os povos do Mundo para a emancipação e progresso da humanidade (art. 7º, nº 1). Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão (art. 7, nº2).
Não haverá povos livres e soberanos enquanto não se respeitar a liberdade e a soberania de todos os povos. Nem se será digno de respeito enquanto não se respeitar o direito internacional e os direitos do Homem. Não haverá progresso e emancipação enquanto houver povos escravizados e colonizados.
Não é com terrorismo de Estado nem com guerras que se combate a fome e a pobreza, que se luta pelo progresso e pelo desenvolvimento.
 
Senhor Primeiro-ministro,
Portugal continua a ser parceiro de crimes cometidos pelos interesses imperialistas dos EUA. Não colhe o argumento de que o governo português foi enganado, nem é justificação o respeito por compromissos assumidos quando está em causa a violação do direito internacional.
 
É necessário mudar de rumo e, no cumprimento do espírito e da letra da nossa Constituição, é imperioso que o governo se demarque daqueles actos e desenvolva todos os esforços diplomáticos e políticos para acabar com os crimes citados e para respeitar os países e povos agredidos.
 
Pela passagem do 5.º ano de ocupação e do início do massacre dos iraquianos por tropas imperiais (regulares e mercenárias), as organizações signatárias exigem do Governo Português o cumprimento da Constituição da República, o exercício de uma política internacional de respeito pelos direitos humanos e pela soberania dos Estados.
 
 
 
Lisboa, 20 de Março de 2008
publicado por cppc às 14:47
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Quarta-feira, 5 de Março de 2008

Compreender o Iraque

por YASIN DIOURI
 
 

Recuemos até o ano de 1917, em plena Primeira Guerra Mundial, ano em que as tropas britânicas conquistam Bagdad aos turcos do Império Otomano e este é derrubado.

 

Após a derrota definitiva dos turcos, os britânicos delimitam o que chamam o Estado do Iraque no dia 10 de Janeiro de 1919 e repartem a principal riqueza do país: o petróleo. O Reino Unido, França, Holanda e os EUA ficam cada um deles com 23,5%, deixando os outros 5% nas mãos duma corporação privada dirigida por Calouste Gulbenkian. A Liga das Nações decide no dia 11 de Novembro de 1920 deixar o Iraque sobre controlo britânico. Estes nomearam rei Faisal Ibn Hussein da dinastia hachemita, irmão do monarca da vizinha Transjordânia (actualmente Jordânia) Abdulah Ibn Hussein. Um plebiscito popular celebrado em 1921 confirma a Faisal I como rei do Iraque. Os britânicos elaboram uma constituição, estruturam o parlamento e minam as forças do movimento nacionalista e independentista que começa a surgir nos núcleos urbanos. As autoridades do Império Britânico não duvidam em recorrer à força para fazer respeitar as suas decisões e proteger os seus interesses.

 

Descobrem-se mais reservas petrolíferas perto de Kirkuk e Faisal I outorga os direitos exclusivos da exploração à britânica Iraqi Petroleum Company. Em 1932 finaliza o mandato britânico sobre Iraque segundo a Liga das Nações, mas não há mudanças importantes na vida política e económica do país. Em Dezembro de 1933 morre o rei Faisal I e passa a ocupar o seu lugar o seu filho Ghazi, cujo reinado seria curto, já que morre num acidente de viação no dia 3 de Abril de 1939. O seu único filho, Faisal, é nomeado rei com tão só 4 anos de idade, ficando a responsabilidade da regência sobre o seu tio Abdul-Ilah. Aproveitando a debilidade da monarquia e a ausência dos britânicos, o militar Rachid Ali Al-Gaylani destrona a Faisal II em 1941, mas uma nova invasão do exercito britânico devolve ao trono a Faisal II e ao seu regente no mês de Maio desse mesmo ano. Em 1945 o país ingressa nas Nações Unidas e, baixo o auspício do Reino Unido, converte-se em membro fundador da Liga Árabe. A minoria curda que ocupa o norte do país revolta-se contra a monarquia sob o comando de Mustafá Barzani, mas o levantamento fracassa e os seus líderes fogem para a União Soviética.

 

O estabelecimento do Estado de Israel em 1948 leva o governo iraquiano a aliar-se com a Transjordânia e declarar-lhe a guerra. 40% do orçamento destina-se às forças armadas e a atender aos refugiados palestinianos. Israel corta assim o oleoduto de Haifa, ficando Abdul-Ilah com metade dos impostos por exploração das jazidas de petróleo. Mesmo estando a emigração proibida no Iraque, milhares de judeus fogem para Israel. Em 1949 é assinada a paz com o estado israelita após uma humilhante derrota da coligação árabe e no ano seguinte legaliza-se a emigração: 110.000 judeus abandonam o país entre o mês de Maio de 1950 e o mês de Agosto de 1951. A guerra, o corte do oleoduto e a fuga de uma das comunidades mais prósperas do Iraque deixa a economia seriamente ameaçada.

 

A chegada ao poder de Gamal Abdel-Nasser no Egipto em 1956 leva aos EUA e ao Reino Unido a desenhar uma aliança militar com os seus principais estados na região para contrapor à euforia pró-nasserista. O Pacto de Bagdad une o Iraque, Turquia, Irão e Paquistão às tais potências. Perante tal movimento, Nasser acusa Faisal II de ser uma marioneta nas mãos dos britânicos e faz um apelo aos militares para que o derrubem. O ataque combinado da França, Reino Unido e Israel sobre o Egipto na Península do Sinai nesse mesmo ano atiça ainda mais a chama anti-ocidental e antimonárquica no Iraque. Encontramo-nos no mês de Fevereiro de 1958 e o rei Hussein da Jordânia e Abdul-Ilah propõem uma união entre ambas as duas monarquias hachemitas para contrapôr à recente união sírio-egípcia (a chamada República Árabe Unida) sob o mandato de Nasser e o crescente descontentamento popular no Iraque. Nuri Al-Said, primeiro ministro do país, viaja ao Kuwait para convencer os seus emires para formar uma tripla união. Os iraquianos sempre viram este país como uma criação artificial dos britânicos. Mas o Kuwait ainda era um protectorado britânico, e este recusa-se a dar-lhe a independência.

 

No dia 14 de Julho de 1958 oficiais da 19ª Brigada das Forças Armadas Iraquianas, chamados “Os Oficiais Livres”, de tendência pró-nasserista e comandados pelo brigadeiro Abdul-Karim Kassem “Azzaím”(O Chefe) e o coronel Abdul-Salam Arif destronam o rei Faisal II. Este, junto com outros membros da família real, é executado e os seus cadáveres mostrados em público. É declarada a república. Dissolve-se a união com a Jordânia e retiram-se do Pacto de Bagdad. O novo Governo declara os acordos para a exploração do petróleo iraquiano nulos, mas insta a Iraqi Petroleum Company a continuar explorando os jazigos de petróleo em troca dum pagamento substancialmente maior. A IPC aceita o acordo. Com o passar do tempo, Kassem começa a afastar-se das políticas nasseristas, e assim cresce uma oposição ao seu governo dentro do próprio exército, chefiada por Abdul-Salam Arif. Este acaba por ser preso. Numa tentativa frustrada de assassinar Kassem, intervem um homem que iria dominar o Iraque no futuro: Saddam Hussein. Este é baleado na perna, mas mesmo assim, consegue fugir para a Síria. A guarnição do exército de Mosul rebela-se contra o governo de Kassem. Perante a pressão, este autoriza o regresso ao país do líder curdo Barzani em troca da sua colaboração na derrota dos insurrectos. Finalmente, estes não conseguem depor a Kassem, mas o governo está muito débil. Aproveita-se de isto o mesmo Barzani, que lidera uma nova insurreição curda que não será sufocada até muitos anos depois. Quando o Reino Unido outorga a independência ao Kuwait em 1961, Kassem vê uma oportunidade para fortalecer a sua imagem e declara a soberania sobre o emirato, baseando-se em que este formava parte da província otomana de Basra (agora província do Iraque). Os britânicos rejeitam esta afirmação e como medida dissuasória estacionam uma brigada do exército no Kuwait. Kassem vê-se obrigado a recuar.

 

Membros do Partido Socialista do Renascimento Árabe ( o Baas) dão um golpe de estado no mês de Fevereiro de 1963 e nomeiam primeiro ministro a Ahmed Hasàn Al-Bakr e presidente ao ex-preso Abdul-Salam Arif. A ideologia baatista, que iria dominar os seguintes anos da vida dos iraquianos, têm as suas raízes no marxismo, e propõe a unificação pan-árabe, a independência face às potências ocidentais e a realização de um programa de carácter socialista (“União, Liberdade, Socialismo”).

 

Saddam Husseim é autorizado a voltar ao Iraque. O governo baatista reconhece a independência do Kuwait no mês de Outubro, mas o Baas é expulso do governo por Arif no mês seguinte e vários dos seus membros são presos, entre eles, Saddam Hussein. No dia 13 de Abril de 1966 Abdul-Salam Arif morre num acidente de helicóptero e sucede-lhe na presidência o seu irmão, o general Abdul-Rahmán Arif. No ano a seguir Saddam foge da prisão e converte-se num dos líderes mais importantes do Baas na clandestinidade. Este facto junto com outra derrota da coligação árabe na terceira guerra árabe-israelita e o corte de relações com os EUA nesse mesmo ano, debilita o poder e a credibilidade de Arif. Finalmente, no dia 17 de Julho de 1968 o Baas volta a dar outro golpe de estado. Ahmed Hásan Al-Bakr é nomeado presidente do Iraque e do Conselho de Comando da Revolução. Saddam Hussein é já Secretário-Geral do Baas e também vice-presidente do país e do Conselho. O governo de Al-Bakr encontra-se com um orçamento no qual é destinado 90% ao exército. Decide-se dar prioridade à agricultura e à indústria. Relativamente ao petróleo, acaba-se o monopólio da Iraqi Petroleum Company ao assinar-se um outro contrato de exploração com a francesa ERAP. Passado um ano do golpe de estado, e perante a impossibilidade de reprimir pela força os rebeldes curdos, deixa-se nas mãos de Saddam Hussein a responsabilidade de chegar a acordo com os independentistas. E chega em 1970, os curdos ganham uma determinada autonomia dentro do Iraque, com um gabinete com 5 cargos, o reconhecimento oficial da língua e cultura curdas e uma parte proporcional das receitas nacionais. Rejeitaram todas as aspirações curdas sobre os campos petrolíferos de Kirkuk. Uma delegação iraquiana visita Moscovo no ano de 1972 e assina um tratado de ajuda económica e militar com as autoridades soviéticas. Nesse mesmo ano também normalizam-se as relações com os EUA, com a Síria e a Jordânia. No dia 1 de Junho aceita-se a proposta de Saddam Hussein de nacionalizar as companhias petrolíferas. Saddam é nomeado general no ano de 1973, data em que começa a obter sérios apoios tanto dentro do Baas como no exército. Foi um dos máximos responsáveis da politica de segurança nacional repressiva, mas também da modernização e activação da economia. Graças à crise petrolífera que começa nesse ano de 1973 e que faz elevar os preços do crude, as receitas do governo de Al-Bakr multiplicam-se. Instaura-se a educação universal gratuita (incluindo a educação superior) e programas para acabar com o analfabetismo, ajudas às famílias dos soldados mortos em defesa da pátria, a hospitalização universal gratuita, subsídios aos camponeses, a expropriação das terras aos latifundiários e a sua repartição entre os camponeses mais necessitados, a modernização do transporte, a distribuição da electricidade, etc… assim como a promoção de outras indústrias para além da petrolífera, como por exemplo a mineira.

 

As disputas com o Irão reacendem-se no ano 1975 quando as tropas iranianas ocupam a via aquífera iraquiana de Shatt Al-Arab, ao norte do Golfo Pérsico, uma importante via para a exploração do petróleo para ambos os países. Existem relatórios que demonstram que o Secretario de Estado dos EUA, Henry Kissinger, incitou o Xá do Irão a dar este passo. Mas estes factos não provocaram incidentes mais graves, já que a 6 de Março os dois países assinam os Acordos de Argel. O Iraque reconhece o direito do Irão sobre a parte oriental de Shatt Al-Arab em troca do fim das ajudas aos curdos. Pouco depois reacenderam-se por parte do governo as hostilidades contra os curdos. Também se esfriam as relações com o Kuwait por questões fronteiriças e com a URSS por causa da execução no Iraque de vários comunistas. No mês de Fevereiro de 1979 produz-se a revolução islâmica xiita no Irão, um facto chave que afectará toda a história posterior iraquiana. As tensões entre ambos os dois estados vão em crescendo, ao considerar Al-Bakr a revolução xiita e o seu carácter expansivo um perigo para o seu governo de minoria sunita (60% da população iraquiana é xiita). Al-Bakr decide então preparar um projecto de unificação com a Síria (também governada pelo Baas), que aponta Hafez Al-Asad, presidente da Síria, como o futuro máximo dirigente da unificação. Ao ver o seu futuro cargo de sucessor de Al-Bakr em perigo, Saddam Hussein reúne os máximos líderes do Baas no dia 22 de Junho de 1979 e lê vários nomes duma lista elaborada pelo próprio. Aqueles cujos nomes são mencionados, são feitos presos e fuzilados. Semanas depois, no dia 16 de Julho, Al-Bakr demite-se e Saddam Hussein Abdel-Mayid Al-Tikriti (nascido a 28/04/1937) assume tanto a presidência do Estado assim como a do Conselho da Revolução.

 

O governo de Saddam aposta por medidas radicalmente opostas às que avança a vizinha revolução islâmica: ampliam-se os direitos das mulheres (obtendo inclusive altos cargos no governo e na indústria), cria-se um sistema legal à ocidental , na qual a lei islâmica está ausente (excepto nos casos de injúria pessoal). Assim mesmo cultiva uma imagem de líder político e espiritual do povo iraquiano, fazendo referências à época abbasida, na que Bagdad era a capital política, económica e cultural do mundo árabe, mas também à cultura mesopotâmica e a reis como Nabuchadnezzar ou Hammurabi (incrementando também o investimento em arqueologia). Para além do típico uniforme militar, apresenta-se também vestido como beduíno, curdo ou ocidental, assim como rezando virado para Meca. Mas Saddam têm que enfrentar-se com os mesmos problemas que os seus antecessores no cargo: continua com uma forte oposição por parte dos curdos, que acham opressoras as medidas arabizadoras do Baas, e da maioria xiita, que se extremaram após o triunfo da revolução iraniana. Convêm assinalar também que a modernização e o crescimento da economia permitem aos iraquianos com salários de professor viajar e fazer turismo na Europa nos fins da década dos 70.

 

Os planos de Saddam Hussein para fazer do Iraque a primeira potência regional passam por debilitar o regime iraniano dos ayatolahs, e se possível, fazer sua a província iraniana de Khuzestán, que colocaria nas suas mãos 20% das reservas mundiais de petróleo. A recente revolução, a purga de altos oficiais militares e o fim da ajuda norte-americana deixavam o país persa mais vulnerável que nunca. Assim, no dia 22 de Setembro de 1980 o Iraque declara guerra ao Irão usando como desculpa uma pretensa tentativa de assassínio do Ministro de Exteriores Tarik Aziz. As forças armadas iraquianas utilizam basicamente o material militar adquirido à URSSS e os seus aliados, mas também à China, à França, ao Egipto e provavelmente à Alemanha. Saddam também obtêm tecnologia europeia para a fabricação e melhoria do armamento químico. Os dois primeiros anos foram um desastre para o comando iraniano. As forças de Saddam conseguem penetrar profundamente no território persa numa longa frente. Mas a sorte dos iraquianos acaba no mês de Junho de 1982, quando os contra-ataques iranianos os obrigam praticamente à retirada do país. Desde esse momento, a posição iraquiana será unicamente de defesa. Este facto empurra os EUA a apoiar abertamente Saddam Hussein, oferecendo-lhe ajuda militar e financeira. O Iraque oferece um cessar-fogo, mas o regime iraniano rejeita-o, prolongando ao longo de mais 6 anos uma guerra estática tremendamente brutal, com semelhanças à Primeira Guerra Mundial, incluindo o uso de armas químicas por ambos os lados. É muito possível que a melhoria do material militar iraniano tivesse como causa o chamado “Assunto Irão-Contra”: oficias militares norte-americanos venderam ilegalmente material bélico ao Irão para poder financiar a guerrilha dos Contra na Nicarágua. Nos últimos anos de guerra, a crescente ajuda exterior permite ao Iraque modernizar o seu exército e recomeçar as suas ofensivas, incluindo bombardeamentos sobre as cidades principais do Irão, como por exemplo a sua capital Teerão. No dia 16 de Março de 1988 o exército iraquiano lança gás nervoso sobre a cidade curda iraquiana de Halabuyah, assasinando 5.000 pessoas, entre as quais crianças. No dia 3 de Julho, o barco norte-americano USS Vincennes abate um avião de passageiros civil das linhas aéreas iranianas, de que resultam 290 mortos. O governo dos EUA afirma que foi confundido com um F-14 Tomcat das forças armadas do Irão. Vários analistas consideram este facto como um aviso ao regime iraniano para pôr fim à guerra. Efectivamente, no dia 20 de Agosto, é assinado o cessar das hostilidades. O conflito durou quase 8 anos e custou a ambos os dois países milhões de mortos e a destruição do sector mais produtivo das suas economias: o petrolífero. No final da Guerra Irano-Iraquiana, Saddam Hussein encontra-se no comando do exército mais numeroso da região, mas com a economia destroçada, com os curdos em pé de guerra e gigantes dívidas, fundamentalmente com o Kuwait ( 14 mil milhões de dólares) e a Arábia Saudita. O governo tenta obter fundos propondo à OPEP a diminuição da produção de petróleo para fazer subir os preços, mas o Kuwait responde aumentando-a. As tensões entre o Iraque e o Kuwait aumentam ao acusar Saddam o emirato de aproveitar-se da guerra para explorar poços petrolíferos no território fronteiriço em disputa. Também proclama que a guerra com o Iraque foi em favor de todos os países árabes por ter inviabilizado a extensão da revolução islâmica e que por isso, tanto a Arábia Saudita como o Kuwait deviam anular a dívida contraída. As negociações com o Kuwait começam no mês de Julho de 1990, mas só conseguem aumentar a tensão. Saddam reúne-se com a embaixadora norte-americano April Gillespie, e transmite-lhe a sua intenção de não renunciar às acções bélicas, no caso das negociações não avançarem. A embaixadora responde que os EUA “não têm nenhuma posição nos conflitos entre estados árabes, como é o caso das suas discrepâncias fronteiriças com o Kuwait”. No dia 1 de Agosto reúnem-se os representantes iraquianos e kuwaitianos na Arábia Saudita para reiniciar as negociações. Só conseguem ameaças e insultos mútuos. No dia a seguir, as tropas iraquianas entram no Kuwait e pouco depois da meia-noite controlam todo o país. Horas depois, o Conselho de Segurança da ONU e a Liga Árabe condenam a invasão, ordenam ao Iraque a retirada e impõem sanções económicas. O governo saudita recebe informação do embaixador norte-americano de que os seus satélites captaram presumiveis imagens (nunca foram mostradas), de que as tropas iraquianas estavam quase a atravessar a fronteira kuwait-saudita. No dia 7 de Agosto, os EUA enviam as suas tropas para a Arábia Saudita. Depois saíram à luz imagens de satélites soviéticos em que não aparece evidência nenhuma de que as tropas iraquianas fossem invadir a Arábia, inclusive o comandante-em-chefe norte-americano, o general Norman Schwarzkopf, admitiu que nunca houve nenhum facto que apontasse para a exactidão da informação. Saddam responde a estes factos no dia 8 de Agosto anexando o Kuwait e declarando-o a 19º província do Iraque.

 

Estamos no mês de Novembro de 1990 e a crise da invasão iraquiana ao Kuwait continua aberta. O Conselho de Segurança adopta a resolução 678, pela qual autoriza o uso de todos os meios para libertar o Kuwait e põe como data limite o dia 15 de Janeiro para que as forças iraquianas abandonem o Kuwait. O Iraque condiciona a sua retirada à retirada de Israel dos territórios palestinianos e à da Síria e do Líbano. No dia 12 de Janeiro o Congresso dos EUA aprova o uso da força militar contra o Iraque. No dia 16 de Janeiro as tropas de uma coligação de 33 países (Afeganistão, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Bahrein, Bangladesh, Canadá, Checoslováquia, Coreia do Sul, Dinamarca, EAU, Egipto, Espanha, França, Grécia, Holanda, Honduras, Hungria, Itália, Kuwait, Marrocos, Níger, Noruega, Omã, Paquistão, Polónia, Portugal, Qatar, Reino Unido, Senegal, Síria e a Turquia, vários deles convencidos graças a ajudas económicas o à anulação de dívidas), liderada pelos EUA lançam um bombardeio sobre Bagdad às 3 da madrugada. O Iraque responde lançando 8 mísseis Scud sobre Israel, numa intentona de arrastar este à guerra e avivar a chama anti-sionista nos países árabes, mas Israel manteve-se neutral, assim como a vizinha Jordânia. Os exércitos da coligação conseguiram rapidamente a superioridade aérea e os objectivos dos bombardeios, para além dos nitidamente militares, foram também industriais como a produção de electricidade (cujos níveis no pós-guerra reduziram-se a 4%), depuradoras, equipas de telecomunicação, portos, refinarias petrolíferas, pontes e duas centrais nucleares activas (violando a resolução 45/52 da ONU). O Iraque lançou os seus mísseis Scud contra as bases da coligação na Arábia e no Kuwait, com muito pouco êxito. No dia 22 de Fevereiro a URSS propôs um cessar-fogo se as forças iraquianas retirassem para posições anteriores à invasão. O plano foi aceite pelo governo iraquiano, mas rejeitado pelos EUA, mesmo aceitando não atacar as tropas que retirassem. No dia 24 os homens da coligação começaram a entrar em território iraquiano. No dia 26 o exército iraquiano retira-se em massa para o seu país, incendiando os campos de petróleo. O comboio de retirada foi tão bombardeado que ficou conhecido como a “Autoestrada da Morte”. Nem o Iraque, nem a coligação usaram armas de destruição maciça, mas vários soldados da coligação apresentaram o chamado “Síndrome do Golfo”, provavelmente derivado do uso do urânio empobrecido nas munições. O presidente dos EUA, George H.W Bush declara o cessar-fogo no dia 27 de Fevereiro (mas muitos jornalistas ocidentais afirmam que até o dia 29 as tropas norte-americanas dirigidas por Barry McCaffrey continuavam perseguindo e abatendo soldados iraquianos). Saddam Hussein aceita as condições da ONU (embargo económico, inspecções às suas instalações militares…) em Abril de 1990. A resolução 986 permite ao governo iraquiano exportar 5,2 milhões de dólares em petróleo cada 6 meses a troca de alimentos e produtos de necessidade humanitária.

 

A Guerra do Golfo foi um desastre para o país. Estima-se que as suas baixas foram entre 150 000 e 200 000, colocando-se possivelmente as cifras mais realistas em torno a 75 000, contra 378 mortos e menos de 1 000 feridos nas fileiras da coligação. O custo das operações supuseram para os EUA 61,1 milhares de milhões de dólares, garantidos a 2/3 pelo Japão, Kuwait e Arábia Saudita. Os líderes iraquianos afirmaram ter encontrado nas mãos do governo do Kuwait um documento da CIA que instava o Kuwait a multiplicar as provocações contra o Iraque com a promessa de que iam ser defendidos e solucionados os seus problemas fronteiriços. Os EUA desmentiram a existência de tais planos. Por outro lado, as promessas de ajuda por parte dos norte-americanos aos rebeldes curdos encontraram a oposição frontal da Turquia, que também tem uma minoria curda considerável. Assim, os restos do exército iraquiano dedicaram-se a massacrar tanto aos curdos do norte como os chiitas do sul. Os EUA impuseram uma zona de exclusão aérea ao norte do paralelo 36 e ao sul do 32. Os caças e bombardeiros norte-americanos e britânicos sobrevoavam diariamente estas áreas, bombardeando praticamente a cada saída. Devido ao medo dos países árabes (fundamentalmente das monarquias e emiratos do Golfo Pérsico), a uma nova revolução islâmica, os EUA não derrubaram Saddam. Mas este vê-se obrigado a mover-se para posturas mais islamistas para contentar o crescente extremismo religioso: aparece muito mais em posições de nítido carácter religioso. Reintroduzem-se elementos da lei islâmica como a pena de morte por homossexualidade e a frase de “ Al-Lahu Akbar” (“Deus é grande”) é introduzida na bandeira nacional.

 

Numa visita do já ex-presidente dos EUA George Bush (pai) no dia 27 de Julho de 1993 ao Kuwait produz-se uma tentativa de assassinato. As autoridades norte-americanas culpam os serviços secretos iraquianos e bombardeiam a Oficina de Inteligência Iraquiana em Bagdad. No mês de Maio de 1995 Saddam expulsa do governo o Ministro do Interior Watban e no mês de Julho faz o próprio com o seu poderoso Ministro da Defesa Ali Hasán Al-Mayid ( chamado “O Químico” pelos ocidentais). Estas alterações supuseram o ascenso dos seus dois filhos Udai e Kusai à vice-presidência, que começaram a purgar oficiais e a instaurar um regime de terror e corrupção. O general Husseín Kamil Hasán Al-Mayid, Ministro da Indústria Militar e genro de Saddam Husseín, foge com o seu irmão (também genro de Saddam) e as suas respectivas mulheres (filhas de Saddam) para a Jordânia em Agosto. Desde ali fazem um apelo ao derrube do regime iraquiano. Antes que Hussein Kamil conseguisse revelar nada, o líder iraquiano ofereceu plena colaboração aos inspectores da UNSCOM, a comissão de desarme da ONU; posteriormente rejeitará a visita a algumas instalações, expulsará os inspectores e encontraram-se provas de desenvolvimento de ADM. Os desertores voltam ao Iraque, onde são assassinados ambos os dois maridos.

 

Possivelmente devido às evasivas e secretismo do regime iraquiano, norte-americanos e britânicos decidem começar a operação “Deserte Strike” (“Golpe do Deserto”), no mês de Setembro de 1996, com várias semanas de bombardeios intensivos sobre o país. No ano seguinte, são expulsos inspectores norte-americanos acusados de espionagem.

Evidentemente o governo de Bill Clinton desmentiu-o, mas em 1998 o marine norte-americano Scott Ritter , membro da equipa de inspecções, demitiu-se sob o argumento de que a CIA utilizava as suas visitas para realizar operações encobertas. No mês de Dezembro desse mesmo ano foi declarada a operação “Desert Fox” (“Raposa do Deserto”), com mais bombardeamentos intensivos. Após os acontecimentos do dia 11 de Setembro do 2001, concretamente em Setembro do 2002, o presidente dos EUA George Bush declara que Saddam Hussein violou 16 das resoluções da ONU e que não desmantelou a sua indústria de produção de ADM. Os oficias iraquianos negam tais acusações e os inspectores afirmam que não tem nenhuma prova disso. Ao obter uma resolução negativa do Conselho de Segurança referente ao uso da força, EUA e Reino Unido, junto de outros países como Espanha, Portugal, Bulgária, Austrália, Japão (cuja Constituição impede-o de colocar as suas tropas fora do seu próprio país), invadem o Iraque no mês de Março de 2003, debaixo das acusações de posse de ADM e apoio ao terrorismo islâmico. Ambos os factos serão desmentidos pelo mesmíssimo presidente dos EUA George W. Bush. O praticamente inexistente exército iraquiano é rapidamente derrotado. Udai e Kusai são abatidos pelas forças norte-americanas e Saddam Hussein é capturado perto de Kirkuk. O Baas é proibido pela administração norte-americana e instaura-se uma administração provisória com olhos postos nas eleições do novo parlamento iraquiano.

Retirado de «La Jornada», tradução de Sonia Arroyo

publicado por cppc às 12:07
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